Keiko Fujimori assume liderança com 50,118% dos votos | Foto: Raul Sifuentes/ Luis Robayo/ Getty Images

Eleições no Peru: Fujimori alcança vantagem sobre Sánchez e deve ser eleita presidente 

A candidata de direita alcançou 50,118% dos votos e abriu margem de 43.386 sobre o adversário, com apenas 40 mil cédulas restantes para apuração

A noite de terça-feira, 23, marcou uma virada no segundo turno das eleições presidenciais no Peru, com a conservadora Keiko Fujimori alcançando uma vantagem considerada insuperável sobre seu oponente. Com 50,118% dos votos, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori está no caminho para assumir a presidência do país andino, mesmo diante da recusa do adversário Roberto Sánchez em reconhecer o resultado. 

De acordo com os dados mais recentes divulgados pela Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE), a autoridade eleitoral peruana, a diferença entre os candidatos é de 43.386 votos, e restam apenas 40.213 cédulas a serem contabilizadas, o que torna matematicamente impossível uma reviravolta no placar.

Às 2h da madrugada desta quarta-feira, 24, Fujimori, do partido Fuerza Popular, somava 9.206.241 votos, enquanto Sánchez, da legenda Juntos por el Perú, registrava 9.162.855 votos, o que corresponde a 49,822% da preferência do eleitorado, com 99,859% das urnas já apuradas. 

Mesmo que o adversário de esquerda levasse todos os votos restantes, a candidata de direita seguiria à frente, consolidando sua quarta tentativa de chegar ao Palácio do Governo. A virada no placar ocorreu graças ao expressivo apoio de cidadãos peruanos residentes no exterior, onde Fujimori obteve impressionantes 63,206% dos votos, contrastando com a ligeira vantagem de Sánchez dentro do território nacional, onde ele lidera com 50,113%.

Em uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira, Roberto Sánchez declarou que “há fraude em curso” no processo de contabilização dos votos e convocou seus apoiadores para novas marchas de protesto neste sábado, 27. “Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori”, afirmou o candidato, que acusou a ONPE e a campanha adversária de supostas irregularidades nos votos depositados no exterior.

Na segunda-feira, 22, Sánchez já havia apresentado um recurso para anular os votos dos peruanos residentes fora do país, alegando problemas administrativos e na gestão das cédulas pelo órgão eleitoral no pleito realizado no estrangeiro. Segundo ele, se os aproximadamente 300 mil votos do exterior fossem excluídos, sua vantagem sobre a adversária seria de cerca de 25 mil votos.

A esperada vitória de Fujimori, ainda não oficializada pela autoridade eleitoral que planeja fazê-lo em meados de julho, aprofunda a guinada à direita na América Latina, seguindo os passos da eleição do outsider Abelardo De La Espriella na Colômbia no domingo passado. Enquanto isso, a instabilidade política peruana permanece como pano de fundo: dos oito ex-presidentes, nenhum completou um mandato inteiro, três sofreram impeachment e um renunciou após apenas seis dias, enquanto quatro ex-mandatários estão atualmente na prisão.

O falecido pai de Fujimori, Alberto, cumpriu 16 anos de prisão por violações dos direitos humanos durante seu governo de dez anos na década de 1990. 

No cenário legislativo, o partido Juntos pelo Perú, de Sánchez, conquistou o segundo maior número de cadeiras no Congresso, com 32 das 130 na Câmara dos Deputados e 14 das 60 no Senado. Já a legenda de Fujimori terá a maior bancada, com 41 cadeiras na Câmara e 22 no Senado, e afirmou que vai aguardar a conclusão total da apuração antes de reivindicar oficialmente a vitória.

Fonte: Jornal Opção

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