Médica especialista explica como as mudanças aprovadas pela Anvisa facilitam o acesso aos produtos à base de cannabis para tratamento de epilepsias resistentes e dores crônicas
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas regras para a exploração da cannabis medicinal no Brasil nesta quarta-feira (28). A medida representa um avanço significativo para pacientes que utilizam produtos derivados da planta para tratamentos de saúde, facilitando o acesso e potencialmente reduzindo custos.
Em entrevista à CNN Brasil, a médica Beatriz Jacob, estudiosa da cannabis medicinal, explicou que existem evidências científicas sobre os benefícios do uso medicinal da planta para diversas condições.
“Temos evidências mais robustas, estudos mais bem conduzidos e com follow-up, que é um segmento mais longo desses pacientes, em especial para as epilepsias resistentes, que são aquelas crises convulsivas que não respondem aos tratamentos convencionais”, afirmou.
Principais indicações terapêuticas
Segundo a especialista, além das epilepsias resistentes, os produtos à base de cannabis também são estudados para situações como náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, para caquexia de pacientes com HIV, e para dores crônicas, especialmente aquelas de característica neuropática. “O uso também para a espasticidade da esclerose múltipla. Inclusive, nós temos um medicamento aprovado aqui pela Anvisa, com o nome de Mevatil”, explicou Beatriz.
Antes da nova regulamentação, o acesso aos produtos à base de cannabis no Brasil se dava por três vias principais: produtos vendidos em farmácias regulados pela resolução RDC 327 da Anvisa, produtos importados por pessoas físicas pela resolução 660, e através de associações sem fins lucrativos. Contudo, o custo excessivo limitava o acesso para grande parte da população brasileira.
Nova regulamentação e maior segurança
A nova regulamentação visa principalmente trazer mais segurança tanto para os pacientes quanto para os médicos prescritores. “Quando a gente pensa no uso medicinal da cannabis, a prioridade é a segurança do paciente e também do prescritor. Afinal, se o produto não está nas nossas farmácias, nós encortamos ou prescrevemos através de uma associação, a responsabilidade é do prescritor”, destacou a médica.
Beatriz Jacó ressaltou que, diferentemente de outros países onde produtos à base de cannabis são comercializados como suplementos, o Brasil adota um rigor maior, tratando-os como medicamentos. “Quando a gente pensa num produto de grau farmacêutico, nós temos que pensar desde as boas práticas agrícolas até a de manufatura. E fora do Brasil, pouquíssimos países têm isso”, explicou.
A expectativa é que as novas regras possam, a longo prazo, resultar em custos mais acessíveis para a grande parcela da população brasileira que necessita desses tratamentos, além de garantir a rastreabilidade e qualidade dos produtos. Com a medida, o Brasil avança na regulamentação do uso medicinal da cannabis, priorizando a segurança e ampliando o acesso a tratamentos que podem melhorar significativamente a qualidade de vida de pacientes com diversas condições de saúde.
Fonte: CNN Brasil

