O brasiliense tem visto com frequência o céu escuro no Distrito Federal. Durante o período de seca, as queimadas atingem o cerrado com força total e deixam rastro de destruição. Segundo dados do Corpo de Bombeiros, nos últimos dez anos, incêndios florestais na capital queimaram o equivalente a 25% da área total do DF. Ao todo, 140 mil hectares de cerrado foram incendiados no Distrito Federal desde 2010. O número representa cerca de um quarto dos 580 mil hectares que compõem a área da unidade da federação.
Além disso, em seis dos últimos dez anos, setembro foi o que mais registrou queimadas. Para este mês, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê altas temperaturas e baixos índices de umidade.
Ano atípico
O número mais alto de queimadas da última década foi registrado em 2010, quando quase 31 mil hectares de cerrado foram queimados no DF. À época, a capital teve 117 dias de estiagem, o que facilitou a propagação de focos de incêndio.
Naquele ano, o Parque Nacional de Brasília, uma das principais unidades de conservação e proteção ambiental, teve 10 mil hectares atingidos pelo fogo — dez vezes o tamanho de um campo de futebol. A área total do parque é de 42 mil hectares.
Nos últimos cinco anos, a situação mais grave ocorreu em 2016, quando o fogo consumiu 17,44 mil hectares no Distrito Federal. Somados, os dois períodos de estiagem registrados naquele ano somaram 120 dias.
Motivos
Longos períodos sem chuva, de muita seca, poeira e até racionamento de água são fatores que, segundo o Corpo de Bombeiros, contribuíram para picos de queimadas em determinados períodos na última década.
“Historicamente, nós verificamos que existem picos. Um ano queima bem, o outro não queima. Existe uma oscilação, e outros fatores podem contribuir. Por exemplo, há dois anos, faltou até água”, explica o tenente-coronel Fabiano Luis de Medeiros, do Corpo de Bombeiros do DF.
Combate às chamas
Em maio, o Governo do Distrito Federal decretou situação de emergência ambiental na capital por conta das queimadas. A medida permitiu a contratação de brigadistas para atuar no combate às chamas.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também permitiu a convocação de brigadistas temporários para atuação no DF e em outros 17 estados brasileiros.
O Executivo local tem ainda um Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, que deve ser renovado anualmente. O documento define estratégias de ação para a prevenção e controle das queimadas.
Queimadas na Amazônia
Além do cerrado, a Amazônia também tem sofrido com incêndios florestais nos últimos meses. Segundo especialistas, no entanto, as queimadas no local não são causadas apenas pela seca, mas principalmente pela ação humana.
Neste ano, a região registrou 46,8 mil focos de incêndio até agosto de 2019, enquanto a média de 2016 a 2019 foi de 34,9 mil. O número representa aumento de 34%. Ao mesmo tempo, o número de chuvas também cresceu 11% no período.







