Pacientes do Distrito Federal que dependem da rede pública para tratar doenças como diabetes e hipertensão reclamam da dificuldade para obter os medicamentos nos postos de saúde da capital. Ouvidos pelo G1, eles afirmam que estão voltando para casa de mãos vazias ao buscar insumos como a insulina e medicamentos como sinvastatina e losartana.
Em nota, a Secretaria de Saúde negou a falta de insulina regular na rede, e disse que há estoques de insulina regular, NPH, Glargina e Determir – os nomes se referem a apresentações diferentes do mesmo hormônio, e cada uma é indicada para um tipo de diabetes. De acordo com a pasta, apenas a insulina ultrarrápida e o medicamento Diamicron estariam em falta, mas já estão em processo de compra – o prazo para reabastecimento não foi informado.
Sobre os medicamentos voltados ao controle da hipertensão, citados por pacientes ouvidos pelo G1, a secretaria disse que a sinvastatina já foi comprada, mas está com a entrega atrasada. Já a losartana tem estoque regular, de acordo com o governo.
Jaqueline Ferreira, de 34 anos, afirma que tentou buscar remédios e insumos para a avó diversas vezes nos dois postos de saúde do Guará, onde mora. Segundo ela, a informação no local era de que “o governo não tinha” os produtos, e nem previsão de normalizar os estoques.
“Minha mãe foi fazer exames e lá dentro do posto tinham os remédios. Mas quando fui buscar para minha avó, que tem 75 anos, a informação novamente foi de que não tinham”, contou a moradora. Até esta segunda (9), ela também não tinha conseguido os remédios contra a hipertensão na rede pública.
Na Asa Norte, uma paciente que não quis ser identificada também afirmou ao G1 que não conseguiu buscar medicamentos no posto de saúde. Nesta segunda, ela disse ter ido ao posto da 114 Norte pela terceira vez em uma semana. “Todo dia, é esse descaso. A gente gasta um monte pra vir aqui, e eles não têm nem resposta. Nem insulina, nem diamicron, nem resposta pra gente”, afirmou.
O G1 já havia mostrado a situação há dois meses, quando o estoque zerado foi confirmado pela Secretaria de Saúde do DF. Na época, a pasta argumentou que o problema ocorreu na distribuição do material, feita pelo Ministério da Saúde. Já o governo federal não explicou o motivo do atraso.