A disputa pelo Senado no Distrito Federal começa a ganhar contornos cada vez mais estratégicos e, ao mesmo tempo, imprevisíveis. Nos bastidores, aliados do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro articulam um movimento que pode redefinir o equilíbrio político local: a tentativa de eleger simultaneamente Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para as duas vagas que estarão em disputa, consolidando uma bancada integralmente alinhada ao bolsonarismo no Senado pelo DF, já que Damares Alves ocupa atualmente a terceira cadeira.
A lógica por trás dessa articulação é clara: transformar o Distrito Federal em um reduto político estratégico para o grupo conservador, garantindo maioria absoluta na representação senatorial da capital do país. Caso a investida se confirme, o PL apostaria em uma chapa considerada “puro-sangue”, sem alianças amplas, buscando mobilizar diretamente a base eleitoral mais fiel.
Essa movimentação, no entanto, não é apenas eleitoral; ela também sinaliza uma tentativa de manter relevância política nacional mesmo diante de adversidades jurídicas que cercam Bolsonaro. O Senado, nesse contexto, surge como peça-chave para manter protagonismo institucional e voz ativa no debate político em Brasília.
A eventual candidatura dupla bolsonarista coloca o governador Ibaneis Rocha em uma posição delicada. O plano inicial de disputar o Senado passa a enfrentar uma concorrência direta com nomes de alta capilaridade eleitoral dentro do mesmo campo político.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que Ibaneis pode reavaliar seu projeto e considerar uma candidatura à Câmara dos Deputados como alternativa estratégica. A leitura é pragmática: em um cenário polarizado, disputar o Senado contra duas candidaturas fortemente identificadas com Bolsonaro elevaria o risco de ficar sem mandato, especialmente diante das pressões políticas derivadas do chamado “caso Banco Master”, que ainda repercute nos círculos políticos.
Se confirmada, a ofensiva bolsonarista tende a reorganizar alianças no Distrito Federal. Partidos de centro e lideranças independentes podem buscar uma terceira via competitiva, tentando explorar o espaço entre a fidelidade ideológica e o eleitorado moderado.
Por outro lado, a decisão de Ibaneis, manter a aposta no Senado ou migrar para uma candidatura federal, poderá redefinir completamente o desenho eleitoral do DF. Mais do que uma disputa por cadeiras, o que está em jogo é a hegemonia política na capital da República e o peso que o DF terá na construção dos blocos de poder no próximo ciclo nacional.





