O Sete de Setembro foi marcado por protestos pacíficos, desfiles militares, atos de depredação e muitos confrontos entre polícia militar e grupos de manifestantes em 12 capitais do país. Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Vitória, Recife e Salvador são alguns dos lugares onde balas de borracha, bombas de gás e spray de pimenta foram usados contra os mais exaltados. Pelo menos 223 pessoas foram detidas ao longo do dia, inclusive mascarados. Vias foram interditadas e atropelamentos registrados. Trinta e dois feridos foram contabilizados.
Do perdão da Câmara a Natan Donadon, o deputado preso por peculato e formação de quadrilha, ao desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza na Rocinha (RJ), foram vários os motivos dos protestos. Os manifestantes, porém, mostraram unidade ao apostar na fórmula do confronto. Em grupos que oscilavam entre 200 e 600 manifestantes, alguns deles Black Blocs com máscaras e camisas escondendo o rosto, e outros de cara limpa, enfrentaram as barreiras polícias que os separavam dos desfiles cívicos.
Brasília
Na capital federal, a polícia tentou dispersar manifestantes em frente ao Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios, e estreou o caminhão que lança jatos d’água contra o grupo. Também foram lançadas bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para tentar evitar que eles seguissem para o Congresso. Eles gritavam palavras de ordem contra a corrupção.
Antes, nas proximidades do Estádio Nacional Mané Garrincha, grupos também entraram em confronto com policiais. O conflito ocorreu antes do jogo entre Brasil e Austrália. Cinquenta pessoas foram detidas ao longo do dia.
Pela manhã, a presidente Dilma Rousseff acompanhou o desfile da data cívica. Ela esteve acompanhada do vice-presidente Michel Temer, do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e de ministros e outras autoridades.
No Rio de Janeiro, no início da tarde, centenas de pessoas bloquearam a Avenida Rio Branco, que chegou a ser totalmente interditada. Manifestantes do grupo de mascarados conhecido como Black Blocs retiraram as bandeiras do Brasil, do Estado do Rio de Janeiro e do município do Rio que ficavam no monumento a Zumbi na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio. Em seguida, eles atearam fogo nos símbolos.
Pouco antes, um novo tumulto foi registrado durante o “Grito dos Excluídos”, manifestação que começou logo depois do fim do desfile de Sete de Setembro na Presidente Vargas. Houve correria e alguns manifestantes atiraram garrafas nos policiais. Eles, então, revidaram lançando bombas de gás.
No fim da tarde, cerca de dez bombas de gás lacrimogêneo foram atiradas por policiais militares contra manifestantes na Rua das Laranjeiras, em área próxima ao Palácio Guanabara. Houve correria entre os manifestantes durante o tumulto.
O acesso do Largo do Machado para a Rua das Laranjeiras chegou a ser fechado. Com receio das consequências dos protestos, comerciantes fecharam as portas. Pelo menos 77 pessoas foram detidas.
São Paulo
Em São Paulo, manifestantes que partiram do vão livre do Museu de Artes de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista, chegaram à Câmara dos Vereadores de São Paulo, onde entraram em confronto com policiais militares. Pedras e barras de ferro foram atiradas no prédio. Vidros foram quebrados e policiais atingidos. Eles revidaram com bombas de gás e investiram com cassetetes contra os manifestantes.
Pelo menos três pessoas foram feridas, uma delas por estilhaços de bombo no olho. O manifestante foi levado pela PM a um hospital. Dois carros da Tropa de Choque da PM. Mais de 600 participaram do protesto.
Com a chegada do Choque, os manifestantes se dispersaram e deixaram um rastro de destruição nas ruas do centro da capital paulista. Houve quebra-quebra e agências bancárias tiveram os vidros quebrados e caixas eletrônicos incendiados. Atos de vandalismo danificaram também bancas de jornais e lixeiras. Semáforos foram depredados.
Nas ruas próximas à Catedral da Sé, dois manifestantes foram atropelados, um por uma viatura da polícia, aparentemente sem gravidade. Ao todo, foram quatro atropelamentos.
Pela manhã, centenas de pessoas participaram do “Grito dos Excluídos”, tradicional ato realizado por movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda, como PSOL e PSTU. Não houve registro de incidentes.
Belo Horizonte
Em Belo Horizonte, a Polícia Militar de Minas Gerais prendeu 27 manifestantes. Quatro deles, menores de idade, foram transferidos para uma instituição específica para adolescentes. Até o fim da tarde, duas pessoas foram feridas e levadas para um hospital: uma mulher, com estilhaços de bomba na perna; e um jovem, que teria levado uma pancada com um cassetete na nuca.
Os manifestantes chutaram um relógio que marca a contagem regressiva para a Copa do Mundo, lançaram um balão de tinta contra a PM e alguns, ao serem advertidos, viraram-se de costas e abaixaram as calças. O tenente-coronel Alberto Luiz, porta-voz da polícia, disse que agentes usaram armas Taser, que disparam descargas elétricas, na hora da detenção dos mascarados.
Porto Alegre
Em Porto Alegre, grupos tentaram acessar a área do desfile de Sete de Setembro, mas foram contidos por um forte aparato militar, que incluiu soldados do batalhão de choque da Polícia do Exército e PMs do Batalhão de Operações Especiais. Não houve confronto no local, mas um grupo pequeno de mascarados voltou a quebrar as fachadas de bancos no centro da cidade.
Os vândalos entraram em choque com a Brigada Militar (BM) quando voltavam para a área central de Porto Alegre, depois de terminado o desfile.
Recife
Em Recife, bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e spray de pimenta marcaram o protesto programado para a tarde do Sete de Setembro. O Batalhão de Choque da Polícia Militar prendeu quatro manifestantes e apontou armas para um promotor de justiça e uma defensora pública que estavam no local.
A confusão teve início porque a PM exigiu que manifestantes que cobriam o rosto se identificassem. Na semana passada, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco determinou a proibição de máscaras nos protestos, ameaçando prender por desacato quem não cumprisse a ordem.
Salvador
Em Salvador, segundo o G1, dois ônibus de transporte coletivo foram apedrejados. Na Avenida Joana Angélica, no bairro de Nazaré, centro de Salvador, o protesto foi marcado por atos de vandalismo. Houve confronto, corre-corre nas ruas e bombas foram disparadas. Janelas dos ônibus foram estilhaçadas. A avenida teve o trânsito bloqueado, assim como em outros pontos da cidade.
Vitória
Em Vitória, manifestantes saíram às ruas em passeata no início da tarde. De acordo com a Polícia Militar, um grupo de 150 pessoas, incluindo integrantes do movimento Black Bloc, se concentrou na Universidade Federal do Espírito Santo e depois seguiu pela avenida Fernando Ferrari carregando apitos, cartazes e bandeiras com dizeres pedindo igualdade de direitos, melhorias nos serviços públicos e fim da corrupção.
Houve confronto entre manifestantes e policiais da Tropa de Choque. De acordo com a PM, o tumulto começou porque os manifestantes não respeitaram o acordo de deixar uma das pistas livre durante o protesto. Um pequeno grupo jogou pedras contra a polícia, que revidou com bombas de gás. Vândalos também quebraram janelas de um ônibus. O trânsito ficou fechado e os motoristas tiveram dificuldades para trafegar em toda a região.
Curitiba, Maceió e Natal
A polícia de Curitiba evitou o conflito ao deter, antes do protesto, 26 suspeitos. O mesmo ocorreu em Fortaleza, com 30 detidos na Centro Dragão do Mar. Em Maceió, a estratégia para evitar tumultos foi outra: quando os manifestantes conseguiram invadir a área de desfile, o ato cívico foi encerrado, ainda que faltassem mil pessoas para passar. A polícia de Natal prendeu um manifestante que tentava destruir uma placa de trânsito. Informações de O Globo.







